Roda de Leitura A estrada, no Espaço Novo Mundo



Olá!!
Demorou, mas finalmente consegui parar para fazer a documentação das Rodas de Leitura de agosto. 
Estas fotos são da Roda de Leitura do livro A estrada, do escritor norteamericano Cormac McCarthy. Interessante como percebo que atualmente o grande mediador de leitura é o cinema: enquanto lia o livro algumas pessoas comentavam que haviam assistido ao filme. Aliás, a própria capa da edição mais recente do livro é uma reprodução do poster do filme, recurso muito usado pelas editoras.
Comecei a Roda informando aos presentes que o autor, atualmente com 79 anos e com 73 anos quando escrevera o romance, em 2006, fizera-o motivado pelo relacionamento com seu filho John Francis, então com 6 anos de idade. Além disso, com a notoriedade alcançada em seu país por uma sucessão de livros bem-sucedidos, e com 73 anos de idade na época, o autor podia se dar ao luxo de publicar um projeto mais pessoal sem se importar muito com a reação do público leitor.

Achei bacana as observações derivadas das leituras dos participantes:

* Por que os peregrinos (pai e filho) andavam com um carrinho de supermercado, que só dificultava a viagem? Daí surgiu a questão cultural norte-americana: nos Estados Unidos é normal os habitantes sem teto andarem com seus pertences nesse tipo de carrinho, e aqui no Brasil não. O interessante é que na semana seguinte fui a um curso de um dia na Biblioteca de São Paulo, próximo ao metrô Carandiru e, da estação Tietê, fiz o caminho a pé até a biblioteca. Nesse percurso, percebi a presença de uma família de pessoas sem teto e elas estavam com um carrinho de supermercado. Sinais da globalização...
* Um dos participantes comentou que, ao ler o livro, lembrou-se de Vidas Secas, no tocante à pobreza de comunicação entre pai e filho. Achei a associação o máximo, porque não tinha me ocorrido que, da mesma forma como os personagens de A estrada não tem nome, os filhos de Fabiano e Vitória também não tem!
* Aliás, a escassez de comunicação entre pai e filho foi bem pontuada pelos participantes
* Outra questão levantada foi: a hecatombe que esterilizou a Natureza levou quanto tempo? Foi instantânea ou foi gradual? Para responder essa questão. Perguntei ao grupo: quantos anos vocês acham que o filho tem? Após alguns palpites, devido a algumas características do menino descritas no livro, decidimos por um intervalo de 8 a 10 anos. Pois bem, se no romance, os primeiros sinais da hecatombe aconteceram enquanto a mãe ainda estava grávida, então ela teria acontecido um pouco antes do menino nascer e seus efeitos já duravam quase uma década.
* Outra questão levantada foi que a situação de indigência e perigo constantes levou o pai a tentar ensinar valores nobres no filho, enquanto que na prática tomava atitudes duras e questionáveis para garantir a sobrevivência de ambos.
* É claro que as garotas disseram que acharam o livro muito duro...
* Eu fiz um paralelo do A estrada com Quarto de despejo, no que concerne a sensação angustiante de que não há possibilidades, em ambos os livros, dos personagens fazerem planos para o futuro, porque tudo o que importava era o dia de hoje, a sobrevivência, se conseguiriam comida (e se não se tornariam comida).

Foi uma discussão muito boa.




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