Roda de leitura de abril de 2014: Assando bolos em Kigali, de Gaile Parkin

 


Olá, queridos leitores!
Quero registrar que tanto a Roda no Espaço 308 quanto a Roda no Espaço Novo Mundo aconteceram. Neste mês de abril lemos e discutimos a leitura do romance de estreia da autora Gaile Parkin, nascida em Zâmbia e cidadã do continente africano.

Estamos quase terminando nosso ciclo Culinária e fico feliz em constatar que pudemos conhecer melhor a vida de mulheres ganesas lendo Sabores da África, de Dorinda Hafner e das mulheres ruandesas, com este Assando bolos em Kigali.

Aliás, depois de ler as oito obras do ciclo, chegamos a conclusão de que livros a respeito de comida falam muito mais a respeito de vidas humanas (aspirações, sonhos, perdas, tristezas, superações) do que de comida propriamente dita.

Bom, mas vamos às discussões:
  • Eu não sabia, mas neste mês de abril houve em Ruanda algumas cerimônias que marcaram os vinte anos do terrível massacre naquele país. O único participante da Roda no Espaço 308 perguntou se eu tinha escolhido o mês da leitura deste livro para coincidir com a efeméride  e eu disse que não, que isso foi uma coincidência.
  • Fiquei muito triste em saber que este livro está esgotado desde setembro do ano passado e por isso algumas pessoas tiveram dificuldades para achar e ler o livro.
  • Comentei no Espaço Novo Mundo que este romance é um bom exemplo da literatura pós-colonial, feita após a descolonização, por autores que adotam o ponto de vista do ex-colonizado
  • Neste caso, temos uma protagonista (Angel Tungaraza), que é mulher, negra, de meia-idade, que está engordando e que é boleira de profissão. É por meio dela que conhecemos uma boa parte da atual Ruanda. O romance foi escrito em 2009.
  • O romance tem 14 capítulos, em que Angel recebe várias encomendas de bolos, e, a partir deles, conhecemos várias personagens, muitas delas sobreviventes do genocídio
  • A autora expõe muitas questões importantes para os moradores deste lado oriental da África: a AIDS, o machismo, a pobreza, os sofrimentos dos sobreviventes
  • Angel, seu marido Pius e seus cinco netos órfãos vivem num condomínio de apartamentos com vários trabalhadores estrangeiros de órgãos internacionais. A vida no condomínio é o que se pode chamar de classe média, mas fora do complexo de prédios a vida é dura e a população local é empobrecida
  • Um dos maiores méritos do romance é tratar de questões dolorosas de uma forma suavizada pela questão das encomendas dos bolos. Quem os encomenda tem o que comemorar, por mais sofrida que a vida tenha sido, é uma forma de superação.
  • Alguns leitores chegaram a dizer que este foi o melhor livro do ciclo, juntamente com a Viagem dos cem passos. Que bom!

Comentários