Roda de Leitura Os livros de Sayuri no Espaço Novo Mundo

http://www.labirintosnosotao.com/2008/10/dica-de-leitura-os-livros-de-sayuri-de.html - Acesso em 25 de junho de 2013

Ontem, 24 de junho, 2a,feira, realizou-se na Livraria Nobel do Espaço Novo Mundo o último encontro da Roda de Leitura a respeito da cadeia produtiva do livro.

Mais uma vez, esqueci-me de tirar as fotos do encontro.

Quis terminar este ciclo com um livro que falasse da importância da biblioteca familiar, de se ter livros em casa, do prazer da leitura individual. E como estamos no mês de junho (quando se comemora o Dia do Imigrante Japonês), não pude deixar de indicar a leitura deste livro.

Comecei falando da trajetoria da autora, Lucia Hiratsuka, que, como eu, é nikkey. Lendo o livro dela, não pude deixar de pensar na minha própria mãe, que nasceu em 1941. A personagem Sayuri é um pouco mais velha que minha mãe, mas a infância de ambas é muito parecida.

Bom, voltando ao encontro de ontem, citei algumas obras anteriores da autora, como os recontos ilustrados de contos tradicionais japoneses, como a Mulher Raposa, a Yukionna, etc. O que considero uma guinada na carreira da autora é Lin e o outro lado do bambuzal, onde ela utiliza a figura folclórica da raposa transmorfa (kitsune) numa história original. Também citei as histórias caipiras.

Perguntei a cada participante qual o trecho mais impactante e as respostas foram variadas:

  • O enterro dos livros
  • O fato de Sayuri ter escondido um livro
  • O empenho dos pais de Sayuri e da própria Sayuri em estudar
  • O valor dado à escola e ao aprendizado
  • Um dos participantes citou que se lembrou da própria infância no interior quando leu o livro
  • Outra participante citou que, como cresceu no Nordeste, só teve contato com os nikkeys quando chegou a São Paulo
  • O final inesperado (todos da família de Sayuri tinham reservado um livro escondido)
Recolhidas as impressões individuais dos leitores comecei a falar a respeito do contexto histórico do texto:
  • A imigração japonesa no Brasil como uma colonização de exploração, já que muitos que vieram pretendiam apenas enriquecer no Brasil e depois voltar para o Japão
  • O isolamento decorrente do meio rural e da falta de desejo de se deixar assimilar pela cultura local
  • O dilema da 2a.geração, ou seja, dos filhos dos japoneses que nasceram aqui
  • A guerra, que mesmo sendo do outro lado do mundo, influenciava as relações dos japoneses e dos brasileiros
Todo este contexto está explicitado na trama, do ponto de vista de uma criança em idade escolar. Ressaltei que as marcações de tempo e espaço são coerentes com a escolha de quem seria o narrador protagonista: o tempo é marcado por ocasiões memoráveis a uma criança em idade escolar (desde que enterramos os livros, passou-se mais de três anos, a caminhada para a escola dependendo do formato da lua, o casamento de Hanae, que não teve festa, no ano novo, nestes dias frios é bom ficar perto do fogão, etc.) A geografia também é coerente com a idade de quem narra os fatos: a casa, o quintal, a goiabeira, a mangueira do sítio vizinho, o caminho para a escola improvisada, a 2a.escola improvisada, que é mais perto, a caminhada para a escola da Fazenda São Pedro, etc.)

Lembremos que este livro foi originalmente publicado para um público infantojuvenil. 

Eu disse aos participantes de que "bons livros infantis agradam a todos, inclusive às crianças" e que "não podemos confundir livro infantil com livro imbecil". Eu me lembro de ter ouvido essas frases nos encontros de incentivo a leitura e achei bacana divulgar, pena que agora eu não lembro de quem ouvi.

Perguntei aos participantes se o ciclo Cadeia produtiva do livro ajudou-os em seu exercício profissional e muitos disseram que sim, que agregou valor. 
Sendo assim, missão cumprida.

Comentários

  1. Lucia, obrigada por incluir este livro na sua roda. Passo aqui para agradecer e visitar seu espaço. Este livro tem me trazido muita alegria, torço para que Sayuri encontre sempre leitores tão atentos e sensíveis. Um beijo grande
    Lúcia

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