Roda de Leitura de agosto de 2014: Chuva negra, de Masuji Ibuse


Olá, caros leitores!
Já aviso que não tirei fotos das reuniões, logo deixo registrada a foto do escritor Masuji Ibuse (1898-1993), que, apesar de ter produzido uma obra vasta, é mundialmente conhecido pelo romance Chuva negra, publicado originalmente em 1965.

No Brasil, houve duas traduções do romance, uma da editora Marco Zero, da década de 1980, e a mais atual, de 2011, da editora Estação Liberdade.




Eu particularmente gostei mais da edição da Marco Zero que atenta para a peculiaridade do romance: ser uma narrativa em duas camadas temporais: começa em 1949, com Shiguematsu Shizuma morando em Kobatake com sua família, sobrevivente do bombardeio de Hiroshima, com um dilema moral: sua sobrinha Yasuko não consegue casar-se devido a boatos de que ela estava na cidade no momento do bombardeio de modo que teria se contaminado com a radiação. A partir deste problema (e do fato dele mesmo ser uma vítima da radiação), ele resolve transcrever o diário da sobrinha, depois transcrever seu próprio diário, que se torna a espinha dorsal do romance, pedir a sua esposa Shigeko que escreva um relato descrevendo a alimentação da família nos tempos de guerra. Já pelo um terço final da história, quando descobrimos que Yasuko está apresentando os sintomas tardios da doença da radiação, temos o relato do tratamento do médico Iwatake.

Pois bem, a edição da Marco Zero respeita esta dupla temporalidade, demonstrando graficamente esta dualidade: os relatos de 1945 são publicados em itálico, enquanto que a narrativa dos eventos posteriores, de 1949, são publicados em tipo regular. Isso, a meu ver, facilita a leitura do livro. A edição da Estação Liberdade, apesar de primorosa, não leva em conta este fato.

Como esta é a 3a. vez que lemos este livro na Roda de Leitura do mês de agosto e alguns dos participantes já tinham lido, resolvi apresentar um contraponto: li em voz alta o conto Tarde de formatura, que consta na coletânea Ao cair da noite, de Stephen King, publicada pela Suma de Letras e que fala de uma explosão atômica em Nova York, ocorrendo numa tarde em que jovens se divertem numa festa. Se em Chuva negra o horror era não saber do que se tratava tamanha destruição, neste conto simples, tanto os personagens quanto nós os leitores sabemos do que se trata. Nos dois casos o imponderável acomete a vida das pessoas quando elas menos esperam.


Bom, a partir de agora, deixo aberto para quem quiser postar seus comentários.
Fiquem a vontade para escrever seus pensamentos, opiniões e experiência de leitura.

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