Roda de Leitura de janeiro de 2014: Sob o sol de Toscana, de Frances Mayes



Olá, queridos leitores!
Feliz ano novo!

Acredito que nós começamos bem 2014 ao ler e discutir Sob o sol de Toscana, da autora estadunidense Frances Mayes. Neste livro memorialístico, acompanhamos as suas aventuras, juntamente com seu segundo marido Ed, na compra da casa de veraneio Bramasole ("anseio pelo sol") na cidade de Cortona, na região de Toscana. O livro é pequeno (uma edição pocket) mas engana direitinho: a escrita da autora é densa e aristocrática.

Logo no primeiro capítulo a gente percebe que a autora é uma senhora, digamos, de posses bem maiores do que qualquer um de nós, seus leitores. Ao longo do livro, por seus comentários, percebemos que tanto ela quanto seu segundo marido são professores universitários que lecionam em São Francisco, Califórnia.

Particularmente, senti uma certa interferência do fato de ter assistido ao filme homônimo, lançado em 2003 e vagamente baseado no livro. Até então, não tinha percebido o quão vagamente o filme foi baseado!
  • No início da reunião informei de que a autora nascera em 1940 (ela é um pouco mais velha que minha mãe, ou seja, ela tem 74 anos. Calculando que ela deve ter comprado Bramasole no início da década de 90, ela deveria ter por volta de 50 anos. Comentei também que atualmente ela, aposentada, vive com o marido na Carolina do Norte (na costa do Atlântico, mais perto da Itália em relação à Califórnia) publicou mais dois livros de memórias a respeito da Toscana, fechando uma trilogia. Seu primeiro livro esteve na lista de best sellers do New York Times por mais de 2 anos. Além disso, ela fundou e preside um festival anual de cultura em Cortona, o Under the Tuscan Sun festival. 
  • Um dos participantes observou que esse sucesso deve-se à fantasia que todos tem de ter uma casa de veraneio no interior, um refúgio contra as demandas da vida moderna.
  • Outra observação feita é que, pelo fato da autora ter nascido e se criado na zona rural do sul dos Estados Unidos, ela se identifica muito com a região rural da Toscana.
  • Foi observado também que a autora descreve bem os arredores de Cortona, tanto os lugares quanto as pessoas, mas que o faz de forma relativamente distante, como uma estrangeira. É  notório que o casal só faz amizade com um grupo de escritores norteamericanos que vive na Itália há mais tempo.
  • O livro divide-se em algumas seções: o relato da compra e reforma de Bramasole, os passeios por Cortona e região (com maravilhosas descrições de cafés da manhã, almoços e jantares) e dois cadernos de receitas: um de verão e outro de inverno.
  • Discutimos a relação turística que a autora mostra em seu livro: ainda que ela não seja aquela turista típica que compra pacotes das agências de turismo, sua relação com a Toscana ainda é um pouco, digamos, burguesa: ela tem seu espaço de trabalho, a universidade na Califórnia e tem seu espaço de lazer, na Toscana. Ainda que acreditemos que com o passar das décadas e com a aposentadoria sua relação tenha se aprofundado, pelo menos no livro ela ainda se mostra uma relação de consumo.
  • Último tópico, mas não menos importante: questionamos o porquê de não termos relatos de moradores da própria Toscana. Por que uma norteamericana publicou uma trilogia a respeito das belezas da região e não um nativo? Falamos um pouco da seletividade do mercado editorial brasileiro, que sempre investe em livros que são sucesso no exterior

Enfim, foi uma excelente discussão. Sinto que começamos bem o ano.
Mais uma vez, agradeço publicamente ao João Canobre, pela cessão do espaço, pelo apoio logístico e pela participação tão ativa. Valeu, João!

Até a próxima!



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