O gênio e as rosas

(1)

     Era uma vez três homens - um ingrato, um conformado e um generoso - que foram visitados por um Gênio da Lâmpada.
     Espantados, perguntaram:
     -- Gênio, que nos trazes?
     -- Rosas! -- disse o Gênio. E abrindo seu manto mágico, dele retirou três lindos buquês de rosas, que ofereceu aos visitados, entregando um para cada.
     Antes de partir, olhou-os fixamente e, percebendo algum desapontamento por conta da simplicidade de sua oferta, justificou-se:
     -- Rosas... porque são  joias de Deus: deixam a vida mais rica e bela!
     Os homens se entreolharam surpresos e, após se despedirem, cada um seguiu seu destino, dando finalidade diferente ao presente recebido.
     O ingrato, maldizendo sua falta de sorte por haver encontrado um gênio e dele recebido apenas flores, jogou-as num rio próximo.
     O conformado, embora entristecido pela singeleza do presente, levou-as para casa, depositando-as num jarro.
    O generoso, feliz pela oportunidade que tinha em mãos, decidiu repartir seu presente com os outros. Foi visto pela cidade distribuindo rosas de porta em porta, com um detalhe: quanto mais rosas ofertava, mais seu buquê crescia em tamanho, beleza e perfume. Ao final, retornou para casa com uma carruagem repleta de rosas.
     No dia seguinte, no mesmo local e instante, os três homens se reencontraram e, de súbito, ressurgiu o Gênio da Lâmpada.
     -- Gênio, que desejas? -- disse um deles.
     -- Que as vossas rosas se transformem em joias! -- disse o Gênio -- Porque quem aceita com alegria um presente da vida, merece receber outros.
     Dessa forma, o homem generoso encontrou em casa uma carruagem repleta de joias, extraordinariamente belas, tornando-se um rico comerciante.
     O homem conformado, retornando imediatamente para seu lar, encontrou, pendurado sobre o jarro onde depositara as rosas, um lindo e valioso colar de pérolas. Sem mais nada a dizer, resignou-se e deu de presente para sua esposa.
     O homem ingrato dirigiu-se ao lugar onde jogara o buquê de rosas e viu, refletindo sobre as águas, um brilho intenso, próprio de joias valiosas, que foram imediatamente carregadas pela correnteza. (2)


3



(1) http://concurseirosolitario.blogspot.com.br/2008_03_01_archive.html - Acesso em 24 de abril de 2012
(2) COELHO, Paulo (adaptação); SOUSA, Maurício (ilustração) O gênio e as rosas e outros contos, 2a. ed., São Paulo, Globo, 2010. p.36-9.
(3) http://hana-haruko.blogspot.com.br/2011/04/o-sublime-misterio-das-rosas-gildo.html - Acesso em 24 de abril de 2012


Obs. Já ouvi esta história de outros modos, mas como encontrei registro escrito  no livro supracitado, achei melhor ir por este.
Espero que goste!!



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